Wednesday, April 22, 2009

Estar em Groningen


Estar em Groningen é ver vizinhos e habitantes a irem para a rua em frente a suas casas com puffs, sofás, cadeiras e mobílias assim que se levantam dias mais soalheiros. Estar em Groningen é ir para o parque e ser convidado para jogar à bola. É ver um gatuno roubar uma mala de uma mae com 2 filhos nesse parque e fugir de bicicleta. É ver outra mãe com um carrinho de bébé a parar em frente a esse gatuno da bicicleta e impedir a sua passagem. É ser requisitado para desatar a correr atrás desse gatuno (e fui mesmo, mas desisti assim que ele me ameaçou com algo que podia ser uma arma, ou simplesmente um telemovel). É ver a polícia chegar em 10 minutos e conseguir apanhar o gatuno escondido entre os arbustos e que atropelou a mãe heroína que ficou ferida depois de se impor em frente da bicicleta. É fazer um jantar de amigos e ir ver um concerto de jazz. É ir ao cinema ver um filme "Sneak Preview" que simplesmente significa que não se sabe qual é o filme até este começar. É estar neste cinema com pelo menos mais 300 pessoas. É ver um filme de domingo à tarde no cinema daqueles que nunca iriamos pagar 6.50€ mas que no final até tem uma moral engraçada. Estar em Groningen é encontrar um encenador de teatro que conheci à 3 anos e que agora, me pede 5 euros para conseguir pagar o autocarro porque está desempregado. Estar em Gronigen é ir ao Casino com 20 euros e sair 1 hora depois com 200. Estar em Groningen é ir ao mercado e ficar boquiaberto com o movimento a alegria, as pessoas o sol, as flores. Estar em Groningen é não observar carros em cima dos passeios. Estar em Groningen é não ouvir "isso é impossível". Estar em Groningen é não ter ninguém a questionar ou achar estranho o facto de me deslocar de bicicleta. Estar em Groningen é descobrir a loja indiana onde se vende Sagres e Superbock. Estar em Groningen é comer um kebab ao domingo à noite. Estar em Groningen é ver uma diversidade de pessoas enorme num espaço pequeno, desde punks em casas ocupadas a velhotes de andarilho num lar, tudo no mesmo bairro. Estar em Groningen é ver pessoas a andar de patins em linha para se deslocarem, como quem usa uma bicicleta ou um automóvel ou uma scooter, ou um autocarro. É ver pessoas em todos estes outros meios de transporte. Estar em Groningen é poder ir beber um chá de menta num bar onde estão outras pessoas a fumar ganzas legalmente e com música digna de estar no meu leitor de mp3. Estar em Groningen, é entrar em bares mal cheirosos com chao em madeira antiga ensopados em cerveja. Estar em groningen é ir à janela e ver centenas de loiras a andar de bicicleta (cada um tem os seus fetiches). Estar em Groningen é trabalhar em voluntariado num bar de um teatro e pagarem-me com um belo jantar numa esplanada. Estar em Groningen é ser convidado para ir dançar tango porque há falta de homens no grupo. Estar em Groningen é nunca ter de pagar um táxi, porque se pode ir a pé para todo o lado, ou de bicicleta. Tudo isto se passou nas duas últimas semanas, muito mais haveria para contar se tivesse em conta os ultimos meses. Estar em Groningen sabe-me bem... por mim fico mais tempo... assim arranje um trabalho. E tudo isto, apesar das imensas saudades que sinto de Lisboa...

2 comments:

Joca said...

Grande António...

Estar em Portugal e tu ai...significa uma enorme saudade!

Forte abraço

Joca

Fly lavita said...

pfffffffffffff

A vida em constante Mudança

Entre Groningen, Lisboa e Swindon... um natural de Torres Vedras se constrói, se destrói.

Um blog intimista e desinteressante, porque sim, para desanuviar, para os amigos, os que ficam.

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